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sábado, 19 de maio de 2012

All Garve


Este blog tem andado ao abandono. Cheio de pó e teias de aranha, cá anda ao sabor dos poucos bocadinhos que tenho para escrever. Ainda bem que não faço disto o meu ganha pão, senão estaria neste momento a passar muita fominha.

Parece que foi ontem, mas no passado mês de Abril celebrámos um ano de casamento. Bodas de papel diz quem percebe desta coisa de protocolos de celebrações. Inicialmente tinhamos planeado uma coisa em grande: iriamos viajar até Singapura e Bali mas por uma muito boa razão tivemos de adiar a viagem. Mas acabámos por ter um dia muito bom na mesma, com bastante significado.

Fomos até Lagos, (re)visitar a cidade onde fizemos a nossa primeira viagem juntos. Éramos jovens e com pouco dinheiro, por isso o alojamento mudou um pouco desde esses tempos idos: trocamos a nossa pequena (muito pequena) tenda pelo Tivoli Lagos, e as latas de atum pelo peixe fresco dos restaurantes.

Daqui em 2003...
.

... para aqui em 2012!




Metemo-nos à estrada, rumo à A2 sentido Sul, e o caminho foi todo feito practicamente sem trânsito, com muitos poucos carros quer num sentido quer noutro - fenómeno fácilmente explicável pelo preço exorbitante das portagens, Depois de uma pequena aventura pelas ruas estreitas de Lagos, lá encontrámos o nosso hotel, lá largámos a nossa pouca bagagem e fomos até à Meia Praia, onde soube tão bem sentir a areia quente debaixo dos pés, o ar do mar a entrar pelos pulmões e o sol a tostar a nossa pele sequiosa de vitamina D.

Eramos só nós e os ingleses (e alguns alemães), apanhámos um bom sol, comemos boa comida…descansámos e aproveitámos a companhia um do outro. E pagámos uma fortuna em portagens e gasolina obviamente (sou só eu que acho estes preços um escandâlo?)!

Que venham muitos mais assim!










sábado, 25 de fevereiro de 2012

Behind the Mask

Desde pequena que me lembro de festejar o Carnaval. De adorar as serpentinas, as pinturas, os brilhantes. Os fatos dedicamente cosidos pela minha mãe, desde cow-girl a princesa, passando por fada, enfermeira, capuchinho vermelho. Lembro-me das noites passadas com a minha mãe em sedes de escolas de samba: enquanto ela cosia com outras mulheres que tentavam ganhar uma luta contra o tempo usando lamé e lantejoulas, eu brincava com as outras crianças às escondidas, ao fogo à barra, ou a imitar as meninas mais crescidas que iam no desfile.

Fui crescendo e o fascínio pelas escolas de samba foi decrescendo, mas não o fascinio pelo Carnaval em si. Na minha terra diz-se que a vida são dois dias, e o Carnaval são quatro. Quatro noites em que tinhamos de pensar em quatro fatos diferentes para sair nas quatro noites de Carnaval. Dançar no ginásio ao som de marchas carnavalescas cantadas com um sotaque brasileiro dúbio eram algo pelo qual ansiávamos durante meses. As escolas de samba eram naquela altura apenas um barulho distante durante o dia, que nos impedia de dormir e recuperar forças para mais uma noite de folia.

Das máscaras de menina passei a vestir-me de Morte, de Robin dos Bosques, de Sininho, de Mecânico, de Indiano vendedor de rosas (não há politicamente correcto no Carnaval minha gente!), de Indiana, de M&M vermelho, até de Acorrentados (uma noite com uma data de gente acorrentada não é tão divertido como se possa pensar).
Assisti passivamente ao ponto de viragem que foi o surgimento dos grupos olodum, e para ser do contra juntei a minha voz (nem sempre afinada) a uma escola de samba que era uma verdadeira família. Durou pouco esta brincadeira,  mas as noites de Carnaval foram sempre uma altura do ano pela qual ansiar. Correr as sociedades, tirar uma foto à porta do Grémio e dançar ao som do "Amigo Charlie" no meio do ginásio era o expoente máximo do adolescente.

Sempre me causou alguma confusão as pessoas que não gostam do Carnaval. Não porque não gostam, mas porque não entendem quem gosta. Na maioria das vezes são pessoas para quem o Carnaval significa máscaras de meter medo e balões de água. É como dizer que não se gosta de Coca-Cola quando só se experimentou Cola do Minipreço.

O tempo passou e veio a universidade, o emprego, a vida adulta. Foram-se o ginário, as fotos no Grémio, e a busca da máscara perfeita. Vim para Londres e o Carnaval passou a ser um dia em que se comem panquecas antes da quaresma. Mas sempre ficaram as memórias no coração.

Por isso este ano voltei ao Carnaval, às máscaras, às pinturas na cara e às tintas no cabelo. E diverti-me e extravasei em passei um bom bocado, e quero sem duvida voltar a repetir.
Mas para o ano há mais, porque a magia do Carnaval é essa mesma, serem quatro dias em Fevereiro que valem por muitos mais.

Venha a Páscoa!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Green Wine

Já aqui falei de músicas que me marcaram quando eu era pequena. Já falei dos discos de vinil do meu pai que eu ouvia também, tantas vezes por não ter mais nada para ouvir - lembrem-se que isto foi (muito) antes do advento do Napster, YouTube e iTunes. Descobri grandes pérolas, algumas tão refinadas que nem no YouTube as consigo encontrar (se alguém souber de um link para o hit da Tonicha sobre batatas fritas deixem comentário!). Mas uma das maiores pérolas para mim foi este single do Paulo Alexandre (quem é esse parece que vos oiço perguntar), sobre a vida de um emigrante que numa noite de muito frio entra numa taberna sabe-se lá onde, e embarca numa viagem nostálgica à sua vila em Braga ou Monção, onde deixou tudo: a noiva, a mãe, a casa, o pai e até o pobre do cão.

Eu não sei se foi uma premonição qualquer de futura emigrante, mas a sacana da música entranhou-se em mim de tal forma que me levou a ouvir o malvado do vinil vezes sem conta, a escrever a letra num caderninha com a minha letra de escola primária. Aquela capa do disco com umas uvas verdes desenhadas num fundo branco até ficou com as pontas arrebitadas de tanto uso.

As coisas que nos afectam quando somos pequenos!

Enfim, hoje, passados uns valentes anos e a viver fora do meu país, dei por mim a cantarolar esta música. Não tendo vindo de Braga ou Monção, às vezes também me lembro da minha "aldeia branca atrás do mar". Que querem, sou humana! Por isso (e por curiosidade meus amigos!) fiz uma pesquisa no YouTube e lá estava o Paulo Alexandre e o seu verde vinho.

E o sr. Paulo Alexandre tinha um grande estilo, ah pois tinha.
E o video é uma pérola por si só.
A minha parte favorita é quando, no refrão que fala de brindar com vinho verde, se brinda com....vinho tinto.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Day One: Self Portrait

Não querendo mostrar o meu rosto vou fazer um desvio ao primeiro tema. Não é um auto-retrato, mas não deixa de ser um retrato. E é um retrato que me faz recordar noites quentes de Verão, amigas, gargalhadas, música, mar, trovoada e que me faz feliz. Por isso, é esta a primeira foto do desafio 30 dias 30 fotos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Lisbon Revisited (2010)

Quando escrevi o post abaixo, foi com a intenção de escrever este logo de seguida. Mas como raramente consigo escrever neste blog com a regularidade que desejo, tal não aconteceu.

Mas aqui vai, mais vale tarde do que nunca.

No passado mês de Junho, em plena euforia do Mundial (antes do desgosto de sermos eliminados pela Espanha) fui a uma declamação de poesia de Fernando Pessoa, parte dos eventos do City of London Festival de 2011, que este ano teve como tema Portugal e os países lusófonos.

Num dia de bastante calor, lá fui eu, sózinha com os meus botões, dado que sendo dia de jogo da Argentina (que na altura ainda era uma séria candidata) ninguém optou por me fazer companhia num fim de tarde a ouvir Pessoa e a beber bom vinho português. Acharão que um fim de tarde com Maradona é bem mais produtivo.
O evento contou com participações de Inês Pedrosa (presidente da casa Pessoa em Lisboa), o Dr Seabra Pereira da Universidade de Coimbra e Richard Zenith, o líder mundial em tradução de Pessoa para a língua inglesa, assim como um dos maiores conhecedores do poeta fora do nosso país. Zenith falou um pouco da história de Pessoa e dos seus heterónimos, lendo depois alguns poemas em inglês.
Foi algo muito interessante e que me encheu de orgulho lusitano, ver um americano falar de Pessoa com um entusiasmo tal, que se notava um brilhozinho nos olhos e não conseguia disfarçar o sorriso entusiasmado.
Um pouco menos interessante foi ouvir Inês Pedrosa falar durante muito mais do que o tempo previsto sobre a Casa Pessoa, não dizendo muito de valor e roubando tempo ao Dr. Seabra Pereira, cuja participação valeu pelo video de Mariza a cantar ''Há uma musica do Povo'', uma musicalização de um poema de Fernando Pessoa, e também pelo ar atordoado dos presentes que não entenderam uma palavra do inglês atroz do Dr Seabra Pereira (à que dizê-lo com frontalidade, já dizia o outro!).
Ouvir Pessoa em inglês (e depois em Português, pela voz do Dr Seabra Pereira, num português bem melhor que o seu inglês) ao sabor de um belo vinho português, foi sem dúvida uma experiencia diferente.
Ouvir e ver reacções de ingleses (e espanhóis, que lá estavam tantos!), e perceber que também eles ficam fascinados pela obra daquele que é, na minha opinião, o melhor dos nossos poeta, é algo que com toda a certeza me alimenta a alma e me deixa um pouquinho mais orgulhosa de ser portuguesa.
Nós também fazemos coisas boas!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

My love to you is true, a tattoo, that ain't ever coming off

(...)

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

Álvaro de Campos
Lisbon Revisted (1926)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Postcards From Heaven

E cá estou de volta. Duas semanas passam rápido, mas chegam para aquecer o coração e a alma, e dar uma tonalidade mais saudável à pele. À minha família e amigos, aos que pude ver e aos que queria ver, muito obrigado por terem feito com que estas duas semanas tivessem sido ainda mais especiais!














Baterias carregadas!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

It's a nice day for a white wedding

Pois é meus amigos, a partir do ano que vem vou passar a alinhar pela equipa dos casados, nesta peladinha que é a vida!
Estando em Londres e a coisa acontecer em Portugal implica que seja precisa alguma ginástica para organizar tudo.
Há cerca de 3 semanas fomos a Portugal passar o fim de semana e aproveitámos para visitar umas quantas quintas para a realização do chamado 'copo d'água'. Foi um dia passado a viajar de quinta em quinta, a perguntar preços, o que estava incluido, a ver menus, a ver decorações, a ver arranjos florais...
Como em tudo algumas quintas revelaram-se mais interessantes que outras, das quais destaco:

1. A Quinta do Terror - um palácio antigo com leve cheiro a mofo e uma decoração que básicamente se baseia em várias cabecas de animais empalhados e armas antigas (riscada logo ali, no momento em que vi a primeira cabeça de veado, da lista)

2. A Quinta com Convidados Surpresa - simpática mas com o bónus de ter um casal simpático de velhinhos a viver na propriedade (entrámos por engano na casa de uns velhotes simpáticos que nos indicaram que afinal a área dos casamentos era na porta ao lado, literalmente)

3. A Quinta Special One - gerida pelo que denominámos prontamente deMourinho das quintas de casamento, não so pelo cabelo grisalho mas também pela sua atitude arrogante ''mais profissional do mundo '' (excepto na hora de pagar IVA)

No final, escolhemos aquela que nos pareceu mais ao nosso gosto, sem grandes brilharetes mas sofisticada. Nenhuma das acima mencionadas, como devem calcular.
Impressionante as coisas que nos sugerem, ele é fogo de artificio com o corte do bolo, ele é balões com leds,ele é dancarinas do ventre, ele é castelos insuflaveis para as criancas...a simples celebração de um casamento pode se tornar facilmente num espectáculo digno do Circo Chen! Até 2011, muita ginástica vamos fazer para organizar este evento, que decerto será capa da revista Caras.
Não percam os próximos episódios....

quarta-feira, 12 de maio de 2010

E Pluribus Unum

Obrigada Benfica. Somos Campeões!!!!


domingo, 29 de novembro de 2009

Don't worry, be happy


A par de LA e Nova Iorque, Londres é uma das capitais mundiais da comédia. Existem clubes de comédia a cada esquina, e nas ruas mais movimentadas do centro é comum esbarrarmos com pessoas que distribuem panfletos anunciando espectáculos e prometendo gargalhadas a torto e a direito.

No domingo fomos assistir a um espectáculo de stand up comedy um pouco diferente, no entanto. Diferente porque foi todo em português.
Soubemos através de um amigo que António Raminhos e Pedro Miguel Ribeiro iam dar um espectáculo inteiramente em português no Brixton Comedy Club. Já tinha visto ambos na televisão, embora não conhecesse muito do trabalho deles. Dado serem portugueses e comediantes (combinação que iria sempre resultar a menos que um deles se chamasse Fernando Rocha), não pensamos duas vezes e decidimos ir. Mesmo que não tivessem piada, la estariamos a apoiar o que é português.

Depois de um domingo de muita chuva e ventania, lá enfrentamos a intempérie e dirigimo-nos a Brixton, onde nos encontrámos com alguns amigos. Ao chegarmos ao local, encontrámos os dois comediantes sentados no pub a trabalhar no seu material enquanto bebiam umas 'pints' (que melhor catalizador para a inspiração que a cerveja?). Um dos nossos amigos já os tinha encontrado em Camden durante a tarde, e após uma aproximação talvez um pouco assustadora para o Raminhos, na qual o meu amigo se apresentou, pode-se dizer que já eram quase bons amigos.
Ao inicio a sala parecia algo vazia, mas passados alguns minutos ficou practicamente cheia, contando-se cerca de 50 espectadores, o que convenhamos, para um espectáculo de comédia em português em Londres, não é nada mau.

Pedro Miguel Ribeiro começou, e à medida que foi aquecendo foi melhorando e acabei por soltar umas boas gargalhadas com a sua actuação. Talvez pecasse pelo demasiado esforço em adaptar as piadas à realidade londrina (todos nós sabemos o que são Euros, não há necessidade de adaptar para Libras, por exemplo) mas regra geral esteve bem e com piada. Na segunda parte António Raminhos foi sem dúvida a surpresa. Desde a sua entrada em palco que nos fez soltar gargalhadas valentes, não só pelo seu material mas também pelo seu aspecto (cabelo desgrenhado e barba comprida), que ele sabe bem usar a seu favor. No fim, uma experiência a repetir da próxima vez que vierem a Londres, como ficou prometido.

Se o espectáculo em português não foi uma experiência nova para ambos (dado ser a segunda vez que actuaram juntos em Londres), de louvar a estreia na comédia em inglês, onde se estrearam uns dias antes do espectáculo em Brixton. Infelizmente não pude comparecer, mas gostava de lá ter estado a apoiar malta tuga, e com piada ainda por cima.

Sempre agradável assistir a espectáculos em português com qualidade em Londres, onde a musica pimba e seus derivados é geralmente mais frequente nos acontecimentos portugueses.

Para saber mais sobre António Raminhos, cliquem aqui.

domingo, 8 de novembro de 2009

Vida e Café

Um dia destes, ia eu descansadinha da vida a descer Regent Street quando deparei com um novo estabelecimento. Mas este não era um estabelecimento qualquer, não senhor.
Apesar de parecer uma normal coffee shop (ao estilo inglês, não holandes), a cor vermelha e o seguinte logo chamaram a minha atenção:


Mas que está este simbolo, semelhante ao da monarquia portuguesa, a fazer aqui? Terá sido o pessoal do blog 31 da Armada a internacionalizar as suas partidas? E por que raio vendem meias de leite e galões? Algo não bate certo....

Alguma pesquisa depois, e fiquei a saber que Vida e Caffe é uma cadeia de cafés sul-africana (os sul-africanos gostam muito de se fazer passar por portugueses, tou a ver). Cansados do domínio dos gigantes Starbucks, Costa e afins, e querendo acabar com café de fraca qualidade servido em 'baldes', decidiram começar a sua própria cadeia, tendo como inspiração os cafés de Lisboa e Porto e practicando aquilo que eles chamam de 'regressar às raizes do espresso' (ou bica, para os dos sul, cimbalino para os do norte).

Até aqui tudo bem. Apesar de usarem a imagem do nosso país, e de eu não ser própriamente uma grande apreciadora do néctar castanho escuro, até aplaudo a iniciativa do regressar às origens do café e assim...

Agora o problema começa com o uso da Língua Portuguesa, e a começar logo pelo nome: Vida e Caffe. O duplo 'f' deve ser para tornar mais fino. O menu está quase todo em português (apesar de eu ter algumas dúvidas de que alguém me entenderá se eu um dia lá entrar e pedir um galão), no entando acho que alguns erros poderiam ter sido evitados com um simples corrector ortográfico (escreve-se "laranja", e não "laranje" meus amigos sul-africanos).

Longe de mim ser perita em Língua Portuguesa, basta ler o blog para perceber que não o sou, mas também não estou a vender nada a ninguém, logo tenho menos responsabilidade.

Aqui está uma foto de um cartaz afixado na montra do estabelecimento.
Feita frescos?! Mas que raio...tudo bem que a língua inglesa é pobre em género, mas convém informarem-se antes de publicarem estas coisas. Eu até lá ia pô-los na ordem, mas o sítio já estava fechado às 6h da tarde. Digamos que se é assim que querem fazer frente aos Starbucks, não vão longe.
Até porque como o sitio estava fechado eu fui logo até ao Starbucks da esquina beber um caramel machiatto.
Se quiserem saber mais sobre esta cadeia, visitem http://www.vidaecaffe.com/ , e não percam os conselhos alucinantes do senhor Joao (sim, sem acento). Ou então, percam.

Happy Birthday to Me

Ainda aqui não falei dos meus anos. Fiz anos recentemente, e pela primeira vez celebrei-os em Londres enquanto residente desta extraordinária cidade. Digo isto desta forma porque já os tinha celebrado por cá duas vezes, mas sempre estando de férias na cidade do Big Ben.
Estava um pouco apreensiva, estando longe da minha família e dos meus amigos, mas no final tudo correu muitíssimo bem e acabei por ter uma festa muito divertida e agradável, com direito a algumas supresas. O melhor presente foi aperceber-me (embora já o soubesse) que não estou sózinha nesta cidade, e que conheci pessoas às quais posso chamar de amigas e que me apoiam nesta aventura. O que é sempre bom quando estamos longe! Considero que (e sei que esta opinião é algo controversa) que à medida que vamos ficando mais velhos vai-nos sendo mais dificil criar laços de amizade profundos, mas não o é de todo impossível.

No entanto, não deixei de ir a Portugal celebrar os meus anos (acabando por ter tido 3 festas de aniversário – nada mau!) primeiro com a minha família que tanta falta me faz, e depois com as minhas amigas fofanelas a quem já conheço à tanto tempo que practicamente não sei imaginar a vida sem elas. Obrigada amigas, por uma noite espectacular, de muita risada e viagens do tempo até a uma década onde tudo era mais glamoroso e a malta usava chumaços nos ombros para parecer mais “cool”. No entanto, senti pela primeira vez nos ombros o peso da idade ao aperceber-me da expressão de ignorância no rosto do meu sobrinho quando lhe perguntei o que era um walkman! Enfim, ele é da geração da internet, do hi5, do youtube, das PS3, e às vezes juro que me parece que lhe custa acreditar que há 13 anos a maioria destas coisas nem sequer existiam!

Obrigada também à minha Trix pela sua disponibilidade num domingo à noite, por me dar o previlégio da sua companhia, embora que breve demais. Fica prometido o nosso jantar em Dezembro!

Mais um ano, e no entanto continuo a pensar que ainda sou a miúda de 16 anos de há anos atrás, cujas maiores dúvidas existênciais eram onde fazer o piercing ou onde ia sair no sábado à noite.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Starters

No outro dia, numa conversa de pub com um amigo em que falávamos, entre outras coisas, sobre Portugal, este meu amigo colocou-me uma questão engraçada. Bom, não é hilariante, mas é engraçada. Um pouquinho, pelo menos.
Bom, este meu amigo e francês. Há alguns anos fez uma viagem a Portugal, onde percorreu o litoral de carro. Estávamos a falar das minhas férias. A conversa decorreu mais ou menos assim:

Ele: Entao comeste sardinhas nas férias?
Eu: Claro!
Ele: Quando lá fui comi. São óptimas. Embora deitem cá um cheiro...
Eu: Sim, pode ser desagradável. Mas o sabor compensa.
Ele: Sim, sem dúvida. Gostei muito. Aliás, gostei de toda a comida. E bebida. E das pessoas tambem. Muito simpáticas. Não são como os espanhóis, que são um pouco antipáticos (ok, admito que nesta parte automáticamente ele subiu uns quantos lugares no meu ranking).
Eu: Pois isso já não sei...(eu armada em politicamente correcta).
Ele: Só houve uma coisa que eu não gostei...
Eu: Então? (já temendo, com mil coisas típicamente portuguesas a vir-me à cabeça, entre elas caca de cão nas ruas, homens com unha do mindinho crescida para coçar o ouvido e palitar os dentes depois de cuspir para o chão, mulheres de bata nas ruas, galos de barcelos, entre outras).
Ele: Aquela coisa das entradas nos restaurantes. Sentas-te, eles trazem as tais entradas. Tu pensas: 'Ena que queridos! Muito hospitaleiros!', e no fim aquilo que pensavas ter sido oferta da casa vem incluido na conta a preços exorbitantes. Isso acontece com toda a gente ou só com turistas?
Eu: Errrr (controlando o riso)...acontece com todos!

E a conversa continou comigo a explicar-lhe os meandros das contas de restaurante em Portugal. Portuguesices!

domingo, 16 de agosto de 2009

The Beach

No âmago do meu ser, sou uma verdadeira pexita. Se formos a pensar numa lista de características que fazem de uma pessoa pexita, eu teria de assinalar algumas delas. Mesmo estando longe, não raro algumas palavras saem com o tradicional sotaque e a inegável dicção, facto que se intensifica sempre que visito a minha bonita vila. Com outras coisas tradicionalmente pexitas não me identifico, tal como sair numa escola de samba em bikini ou cantar canções brasileiras no karaoke do Caberga. Mas ainda bem que alguém as faz, senão perdiamos um pouco da tradição pexita.

Uma coisa bem pexita que eu nunca tinha experenciado era ir ao Ribeiro de Cavalo. Agora que se calaram os gritos de exclamação, confirmo, eu nunca lá tinha ido. Isto para quem é de Sesimbra é uma falha quase tão grave como nunca ter ido comer caracóis ao Charrinho.
Ribeiro de Cavalo

Enfim, decidida a colmatar esta falha que fazia de mim uma pessoa menos digna, aceitei pernoitar nesta maravilhosa praia com uns amigos. O principal acesso ao Ribeiro de Cavalo é feito através do mar, mas como a maioria das pessoas não tem o previlégio de possuir meio de transporte que permita tal coisa, o acesso terra, descendo pela encosta mais ou menos acidentada é o mais utilizado.

Ainda hoje estou para perceber como eu decidi aceitar de bom grado a ideia de ir de canoa até este pedaco de paraíso em Sesimbra. Quem me conhece há tempo suficiente para se lembrar das minhas aulas de Educação Física, lembrar-se-á com certeza das minhas tristes figuras quando tentava practicar algum tipo de desporto. Eu sempre fui mais bolos, como dizia o outro. Mas como o tempo muda uma pessoa e eu até gosto de aventuras, lá disse que sim, embora tivesse algumas dúvidas que fosse capaz de chegar ao nosso destino sem cair ao mar. Na dúvida, resolvi envolver toda a mercadoria em sacos de plástico, não fosse o diabo tecê-las. Após algumas voltinhas a tentar dominar o remo, aqui a que vos escreve tem orgulho em dizer que completou não uma, mas duas viagens de canoa sem cair ao mar. Houve momentos, é certo, que temi um pouco, mas no geral correu tudo bem e à parte do calo no polegar direito, um semi-escaldão nas pernas e alguma salmoura na roupa lá chegámos são e salvos. E a vista, meus amigos...só por isso valeu a pena o esforço.


Não somos nós na canoa, mas podiamos bem ser.


Éramos um grupo valente, de 6 pessoas e meia (a nossa fofanela pequenina foi uma alegria constante) e um canito (o Puff ajudou-nos a guardar o acampamento pachorrentamente). Não éramos os únicos na praia, mas os outros grupos estavam a uma distancia que nos dava a segurança de não estarmos sózinhos e ao mesmo tempo o sossego que se impõe nestas situações. Apanhámos sol, tomámos banhos de mar, jogámos Uno e inventámos regras. Quando o sol se comecou a por montámos as tendas (umas mais fáceis que outras) e metemos mãos à obra para confeccionar o nosso manjar de febras, entrecosto e entermeadas, regadas a Casal Garcia, Porta da Ravessa e Sagres. Depois de um autêntico banquete, e de muita baba do Puff , iluminados pela magnifica lua cheia, juntámo-nos em redor da fogueira onde rimos com as historias de terror da mini-fofanela, que nos deu a conhecer a Maria Sangrenta e a razão (ainda por confirmar) pela qual a Kitty não tem boca.
As belas das canoas

Puff, o nosso fiel companheiro de acampamento

O nosso estaminé já montado

Ribeiro de Cavalo, visto do Aquarama


No fim, não só cimentei as minhas raizes pexitas como também passei um excelente bocado com os meus amigos. Foi uma daquelas experiências dificeis de repetir, por ter sido tão única e especial. Pena que 2 fofanelas não tenham ido, pode ser que com esta descrição e com as fotos fiquem com vontade de ir para a próxima.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

You know I'm back, I'm back...

Hiro, o meu terceiro 'sobrinho'

O tempo é muito temperamental. Tem o condão de se arrastar quando estamos a fazer algo mais aborrecido ou de voar quando estamos a passar um bom momento. Por isso 2 semanas (e 3 dias) podem parecer muito mas também podem parecer muito pouco. As minhas férias lá se passaram, sempre bem aproveitadas, por isso sempre a voar. No entanto agora que findaram, fica o gostinho a caracóis e vinho verde nos lábios e a sensação de que havia pouco mais a desejar. Muito sol, muita alegria, embora infelizmente (como já se começa a tornar hábito) não tivesse conseguido estar com toda a gente.


Aqui fica a lista das coisas que marcaram este meu 'Verão'.


Coisas que descobri (ou re-descobri):
Tango (bebida, não a dança)
Maracujoscas
Ribeiro de cavalo e acampamentos na praia
Canoas (e respectivos 'dói dóis canoeiros')
Cães (a minha aversão esta prácticamente curada, graças ao Bolt, Hiro e Puff)
Passeios de barco na nossa bela Sesimbra e o ar salgado a bater na cara
Farinha Torrada (esse doce tão pexito quanto calórico)


Coisas que de novidade pouco teem mas pelas quais anseio sempre:
As minhas Sesimbra e Lisboa
A minha familia sempre igual a si mesma, que me estragaram com mimos e que tanta falta faz por cá
Os meus amigos, os seus sorrisos e as suas conversas
As minhas fofanelas, pelos dias de praia e pelas noites de borga, e acima de tudo pela companhia
Caracóis, choco frito, salada de polvo, ameijoas e, desta vez, até arroz de tamboril
Caipirinhas
Pão com chourico e bolos depois de uma noitada
As compras com a minha mana (eu compro sempre mais coisas que ela, não é nada justo)
O meu Benfica a ganhar (vamos deixar esta neste grupo, ok?)
Chá no Chiado para pôr a conversa em dia


Coisas que não tenho saudades, mas que teem mesmo que ser:
Trânsito na auto-estrada a caminho da ponte (norte/sul/sul/norte)
Praia ao domingo (mas eu vou na mesma!)
'Seitas do garrafão' que vao para a praia em excursão ao domingo com os seus 1024 chapéus de sol, 325 geleiras com minis e sou capaz de jurar que desta vez ate vislumbrei um fogareiro
Falta de lugares para estacionar
Preço da gasolina (mas está tudo maluco por aí?)
Carnavais de Verão em Sesimbra (não gosto, não gosto e não gosto!)



E por aí fora... Para o ano há mais Verão assim. Entretanto vou vivendo o resto do Verão londrino que também está recheado de surpresas. Vou relatando aqui, no sítio do costume (não confundir com o Pingo Doce).

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Eat like a Portuguese

Ainda relacionado com o post anterior, acabámos o dia do escaldão no Nandos (quase que me envergonho de dizer isto). O Nandos é uma cadeia de restaurantes (supostamente) portuguesa, que usa um Galo de Barcelos como logo, ao qual chamam de Barci. Fundado por um sul-africano, e com vários restaurantes por este mundinho fora, especializa-se em frango assado com 'peri-peri' (sim, escrevem-no mesmo assim). Vendem Super Bock e Sagres, pasteis de nata e mousse de chocolate em tacinhas de barro que fazem lembrar as taças de sobremesas da Menorquina, que são vezes demais aproveitadas mais tarde para cinzeiros nos restaurantes mais típicos.
Optei por um prego, desejosa de comer um belo bifinho entre duas metades de papo-seco ensopado em mostardinha. Mas o que me chegou à mesa era um pouco differente: o bife estava lá, e até a tentativa de papo seco (ou portuguese roll, como lhe chamam) não era assim tão diferente, mas mostarda, nem vê-la. Em vez disso, maionese. Maionese! E uma folha de alface e rodelas de tomate. Sim, salada num prego. Ora meus amigos do Nandos – isto não é um prego! É um hamburguer mutante. Um hamburguer-prego. Um hambrego. Ora, estão um pouco equivocados nisto da comida portuguesa. E depois de ver o seguinte viral no youtube, não isto do hambrego não me surpreende:




Ora bem, eles também não sabem bem o que é ser português. Nós não somos todos padres com bigode. E além lhes diga que lá por uma canção ter a palavra ‘Portugal’ no refrão, não quer dizer que seja cantada em português.

(Não sei bem se o video é oficial – mas não vejo porque não o seja, embora nem sempre se possa confiar no youtube. Além de que já ouvi anúncios deles na rádio, em que punham os portugueses todos a andar de burrito. Além daquele cantor pimba, não conheço nenhum português que ainda ande de burro, mas tudo bem!)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Today

Uma surpresa: Amália Hoje. Com toque de duas das melhores bandas portuguesas (embora não façam parte da minha lista de bandas, há que reconhecê-lo). The Gift e Moonspell, Amália é revisitada com mestria.
Ainda só ouvi algumas músicas, mas até agora, estou a gostar.

É tão bom quando somos surpreendidos!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

I know where it goes, do you?

Mais publicidade inglesa a recorrer à nossa linda cidade. Eu sei onde vai dar e tenho saudades de me perder nela!







quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Back to life, back to reality....

Infelizmento tenho descuidado a atenção dada a este blog. 2009 não comecou da forma como desejava, mas acho que a pouco e pouco as coisas vão retomar o seu caminho. Tem-me faltado inspiração para escrever, às vezes parece que para tudo o resto! Mas não se assustem, esta falta de inspiração não é algo que me acompanha sempre (embora pela qualidade dos textos às vezes pareça), por isso cá estou a retomar os meus escritos. O fim de semana passado fomos a Portugal. Desta vez não tivemos muita sorte com o tempo, mas mesmo um fim de semana de chuva e ventos fortes não nos apagou o sorriso dos lábios pelo facto de estarmos em casa. Foi bom revermos a família e os amigos, e um muito obrigado a todos aqueles que consegui ver, pelo seu esforço, e também muito obrigado a todos aqueles que não consegui ver, pela paciência. Conheci o mais novo elemento da minha familia (bem-vindo!), comi um bife com molho à Portugália, subi as ruas do Bairro Alto enquanto me esforçava para que o meu pobre chapéu de chuva, mais habituado à chuva londrina, que dura muito tempo mas é mais calma, não se partisse com o vento forte que se fazia sentir. Apanhei o habitual trânsito na 25 de Abril, acho até que sentiria que faltava qualquer coisa se assim não fosse. Bebi um café fofanelo e partilhei uma tosta de frango à beira mar (e à beira chuva também). Sorri e ri às gargalhadas com os meus sobrinhos que estão cada vez maiores e mais inteligentes (e piritecos também!). É íncrivel quantas coisas cabem num fim de semana, mesmo que seja de 4 dias. De volta a Londres esperava-me um manto branco gelado, com bonecos de neve com ramos a fazer de braços espalhados aqui e além. Enquanto arrastavamos as malas de volta a casa, ainda consegui mandar umas bolas de neve enquanto tentava não escorregar no gelo da estrada. São coisas como estas que nos fazem sentir criancas outra vez: rir, escorregar, rir com os amigos, trocar roupa com a mana, matar saudades da comida da mamã e ver futebol com o papá. Voltarei em breve a por este blog na linha!

domingo, 4 de janeiro de 2009

Do they know it is Christmas?






Estou de volta. De volta em dois sentidos: de volta a Londres e de volta depois de ter passado uma semana de cama com uma gripe que teimou em vir na bagagem comigo, entre as prendas de Natal e os habituais chouriços e bacalhaus que trazemos nesta altura. Já hà vários anos que não estava doente assim e o facto da TV Cabo teimar em deixar de transmitir por razão nenhuma os canais Fox não me ajudou a passar melhor esta semana que supostamente era a minha semana de férias relaxantes, e que acabou por ser um martírio de febre, muita tosse e repetições infindáveis de séries manhosas de TV. Pelo menos deu para ver alguns filmes.


As férias passaram-se num instante. É sempre assim, ansiamos por elas durante meses, e quando finalmente acontecem passam em pouco tempo. Muito pouco tempo. E fico sempre com a sensação de que poderia ter feito mais, de que poderia ter passado mais tempo com a minha família e amigos. Mas eu bem sei que vou sentir sempre isso, por mais que me divida e ande a correr nas férias.


O Natal foi muito bom, com a familia e boa comida, algumas prendas, todas maravilhosas. Lisboa está cada vez mais bela, é a minha cidade do coração, e algumas coisas nela deixam-me ainda triste, outras deixam-me esperançosa que algo vai mudar em 2009. Ou talvez seja só a época natalícia, que faz disto, que nos deixa a pensar na nossa vida. Sesimbra continua pequena e acolhedora, como um pequeno presépio iluminado que me ilumina a alma sempre que desço a estrada da serra rumo ao centro. Muitas coisas só nos aquecem quando estamos longe e deixam de ser garantidas.

Mais um jantar fofanelo, sempre divertido e entusiamante. Onde se recordam tantas coisas e ao mesmo tempo se aprendem outras e cimenta-se a ideia, o sentimento de que a amizade é isto mesmo, é ter um elo de ligação que vai além do passado mas que se prova no presente e se prevê no futuro. São jantares que me deixam com um sorriso nos lábios e me fazem pensar no que estou a perder ao estar tão longe.


Mesmo o pouco tempo que tive com tantos amigos e familiares foram momentos preciosos que valeram a pena, e que gostava de repetir.


Desta vez devido ao horário inapropriado do voo não houve realmente tempo para despedidas. Não houve lágrimas nem crianças a correr e a fazer birra, não houve mil beijos de despedida e palavras de carinho ditas vezes sem conta. Foi tudo feito em casa, ao almoço. Melhor assim, que me fez sentir como um outro dia normal, em que retomava a casa depois de um almoço em família.


O saber que não tardo aí de novo minimizou tudo: a febre, a tristeza, os passos apertados no aeroporto. Até breve!